Luis Fernando Veríssimo, òttimo…

Fevereiro 14, 2008

Crônica da Loucura

Luiz Luiz Fernando Veríssimo 

O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um “consultório médico”, como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estavamos:

1. Eu

2. Um crioulinho muito bem vestido,

3. Um senhor de uns cinqüenta anos e

4. Uma velha gorda.

(1) Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do “Harmonia do Samba”? notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro.Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse. Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha “viagem” na sala de espera.

Ele ri, ….. ri muito, o meu psicanalista, e diz:

O Ditinho é o nosso office-boy.

O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.

E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.

- E você, não vai ter alta tão cedo…


Música boa…

Fevereiro 13, 2008

La Forza Della Vita

Paolo Vallesi

Anche quando ci buttiamo via,
Per rabbia o per vigliaccheria, per un amore inconsolabile
Anche quando in casa è il posto più invivibile
E piangi e non lo sai che cosa vuoi

Credi c’è una forza in noi amore mio,
Più forte dello scintillio, di questo mondo pazzo e inutile
È più forte di una morte incomprensibilie
E di questa nostalgia che non ci lascia mai.

Quando toccherai il fondo con le dita
A un tratto sentirai la forza della vita, che ti trascinerà con se,
Amore non lo sai, vedrai una via d’uscita c’è.

Anche quando mangi per dolore
E nel silenzio senti il cuore, come un rumore insopportabile
E non vuoi più alzarti e il mondo è irraggiungibile
E anche quando la speranza oramai non basterà.

C’è una volontà che questa morte sfida
È la nostra dignità la forza della vita
Che non si chiede mai cos’è l’eternità
Anche se c’è chi la offende o chi la vende l’aldilà.

Quando sentirai che afferra le tue dita
La riconoscerai la forza della vita, che ti trascinerà con se,
non lasciarti andare mai, non lasciarmi senza te.

Anche dentro alle prigioni della nostra ipocrisia
Anche in fondo agli ospedali nella nuova malattia
C’è una forza che ti guarda e che riconoscerai
È la forza più testarda che c’è in noi
Che sogna e non si arrende mai

È la volontà, più fragile e infinita, la nostra dignità
{Amore mio} è la forza della vita

Che non si chiede mai, cos’è l’eternità
Ma che lotta tutti i giorni insieme a noi, finchè non finirà

Quando sentirai {La forza è dentro noi}
Che afferra le tue ditta {Amore mio prima o poi}
la riconoscerai , {La sentirai}
La forza della vita

Che ti trascinerà con se, che sussurra intenerita:
“guarda ancora quanta vita c’è!”


A cidade do ano 2000!!!

Dezembro 16, 2007

Oscar Niemeyer

Arquiteto

As cidades evoluíram sempre em função do progresso, da técnica, dos novos meios de comunicação, da displicência dos homens, inclusive. Nas cidades antigas tudo era fácil e a vida mais natural e solidária. A pequena praça onde todos se reuniam, as ruas estreitas, o comércio a ladeá-las, dando-lhes vida e movimento, os bairros residenciais arborizados e tranqüilos, supridos pelo comércio local nas exigências do cotidiano.

Com a evolução dos novos meios de produção e transporte, das novas funções urbanas que surgiram e da revolução industrial, principalmente, as cidades se transformaram em grandes metrópoles, dinâmicas, cheias de vida, mas despidas da antiga e indispensável intimidade. As cidades existem há anos. Talvez em Nínive, na Babilônia… Mas certamente em Roma e Alexandria seus habitantes já encontravam certos problemas que hoje nos envolvem. A metrópole constituía então um caso tão extraordinário que podemos afirmar ser o século 20 sua era verdadeira. David Hume, em On the populousness of ancient nations, assegurava que, depois das experiências feitas nenhuma cidade teria no futuro mais de 700 mil habitantes.

Willian Pelter dizia que Londres chegaria no máximo a 5 milhões e, Julio Verne, mais realista, imaginava cidades com 10 milhões. O crescimento demográfico das cidades, entretanto, superou todas essas estimativas. Londres, por exemplo, tinha em 1801, 864.845 habitantes e, em 1981, 4.232.118. A era maquinista começava.

As casas de cinco pessoas formam substituídas por apartamentos com 200 moradores. As ruas se encheram de carros e de gente, a densidade urbana cresceu sem controle e os problemas de tráfego, de ruído, de segurança, inclusive, passaram a pesar sobre seus habitantes.
Veio então a cirurgia urbana, os viadutos, trevos e passagens de nível com suas cicatrizes inevitáveis e o homem se viu esmagado por sua própria imprevidência, esquecido e frustrado no meio das multidões desconhecidas.

Os espaços urbanos das velhas cidades se tornaram exíguos, agravando a tarefa demolidora do poder imobiliário a construir enormes edifícios, uns grudados aos outros, invadindo praias e morros, sem respeito pelo homem e pela própria natureza.

E as velhas cidades perderam sua antiga unidade, invadidas pela arquitetura racionalista a descer sobre as calçadas com seus inefáveis e repetidos cubos de vidro. Essa é a explicação corrente, clássica, dos que a estudam quase sempre esquecidos da discriminação social odiosa que representam. Apenas na União Soviética e demais países socialistas, onde a revolução aboliu a propriedade da terra, novas possibilidades são oferecidas.

Nas outras cidades do mundo, do ocidente, para sermos mais precisos, ainda encontramos o mesmo desacerto. Os ricos usufruindo-as alegremente, e os mais pobres espalhados pela periferia nos seus míseros barracos. Da cidade industrial de Tony Garnier (1907) à Carta de Atenas (1933) muita coisa foi sugerida, mas todas elas – esta última inclusive – começam a ser, veementemente contestadas.

Apelam para soluções mais compactas, mais humanas, onde as ruas de pedestres voltem a existir, com seus setores devidamente integrados, sem criar, fora das horas de trabalho grandes zonas desertas e abandonadas. Atentos, os especialistas do urbanismo se debruçam apaixonadamente sobre os problemas das grandes cidades. E surgem críticas, falam da poluição, do poder imobiliário, da densidade brutal, do problema casa-trabalho, etc, mas quando se trata das favelas, das crianças a perambular pelas ruas, do operário a sair de casa cedo, de madrugada, para voltar somente à noite sem ver os filhos, aí o tom se dilui acomodado, como se se tratasse de coisa natural e compreensível. Dentro desse quadro social inqualificável, não seria possível construir a cidade do ano 2000. Em vez de representar o futuro, ela se limitaria a exprimir – de forma belíssima, quem sabe? – as discriminações e a injustiça do mundo capitalista.
Que fazer? Como poderíamos nós, da América Latina, ainda oprimidos pelos velhos privilégios que a burguesia criou, falar desta cidade que requer, antes de tudo, um mundo sem classe, justo e solidário? Como poderíamos pensar nessa cidade ideal se o imperialismo nos oprime promovendo ditaduras e subserviência, e os privilégios, a propriedade da terra e o autoritarismo pouco nos permitem realizar?

Como levantar as características dessa cidade do futuro se a miséria cresce à nossa volta e a injustiça nos tira da prancheta para, conscientes e solidários, intervirmos na política com o nosso protesto e a nossa revolta? Mas é preciso sonhar um pouco e modestamente lhes dizer como imaginamos a cidade do futuro.

Começaríamos lembrando que, a nosso ver, essa cidade não deveria ser voltada pra o passado, para as velhas cidades medievais que ainda hoje tanto nos atraem, mas delas guardar aquela calma, aquela escala humana que o progresso e a incompreensão dos homens não souberam preservar.

Não será, portanto, uma cidade feita para a máquina, mas ao contrário, feita exclusivamente para o homem, que a poderá percorrer a pé de lado a lado como naqueles velhos tempos o fazia. Para isso será uma cidade vertical, reduzindo distâncias, cumprindo assim sua principal característica. Terá densidade prefixada, evitando esse crescimento descontrolado, que desfigurou as grandes cidades do mundo. Para manter a liberdade de circulação dos pedestres, todos os veículos ficarão na periferia, com os estacionamentos acessíveis aos diversos setores da cidade, ao centro inclusive, onde serão situados os departamentos administrativos, o comércio, os escritórios, etc.

Daí até a periferia, se sucedendo dentro da lógica urbanística, serão localizados os setores de saúde, cultura, ensino e, finalmente, as habitações. Será uma cidade multiplicável, isto é, cidades que se sucederão de forma linear, criando entre elas enormes espaços verdes destinados ao lazer. Dando seqüência, paralelamente, as áreas agrícolas, de pesquisa e das grandes indústrias. Esta é a opção que nos ocorre. Outras, muitas outras, surgirão com certeza, mas para nós é nessa cidade menor, mais íntima, mais humana que o homem encontrará um dia a solidariedade perdida e a vida mais amena e feliz que sempre desejou.

 

 

Rio de Janeiro, Domingo, 16 de Dezembro de 2007 – 09:10 hs

REVISTA ECO-21      EDIÇÃO 133

Disponível em: http://www.eco21.com.br/textos/textos.asp?ID=1663

 


MAIS UMA PÁGINA…

Dezembro 3, 2007

É, FOI VIRADA MAIS UMA PÁGINA, ACABOU UM CICLO QUE DURAVA  ANOS, AGORA VAMOS VER COMO VAI SER, VAMOS TENTAR FAZER AS COISAS DIFERENTES,  TENTAR FAZER MELHOR TUDO QUE JA FOI FEITO ANTES…TEM MUITA COISA PRA SER FEITA…MUITA COISA…


Teatro Mágico…

Agosto 26, 2007


Vídeo do Dylan…

Julho 19, 2007

Olha só o jeito do cara engatinhando, é muito estranho, hehehe!!!


12072007

Julho 17, 2007



12072007

Upload feito originalmente por Clovis "GA" Rodriguez

Pôster do Fórum Social Mundial


Muito frio…

Julho 12, 2007
 

SERRA DO SUDESTE
PARCIALMENTE NUBLADO COM FORMAÇAO DE GEADAS.
TEMPERATURA: LIGEIRO DECLÍNIO MAX.: 12°C   MIN.: -1°C
VENTO DIREÇÃO: S-E
INTENSIDADE: FRACOS/MODERADOS

Era essa a temperatura que deu no inmet para nossa região, nossa colônia, para ca, a planicie estava marcando em torno de 1°C, tava muito frio… As ervas no caminho da minha casa para a parada do ônibus estavam congeladas… Tava bonito mes tava muito frio…


A estética do frio… Vitor Ramil…

Julho 12, 2007

“A seguir, o mesmo telejornal mostrou a chegada do frio no Sul, antecipando um inverno rigoroso. Vi o Rio Grande do Sul: campos cobertos de geada na luz branca da manhã, crianças escrevendo com o dedo no gelo depositado nos vidros dos carros, homens de poncho (um grosso agasalho de lã) andando de bicicleta, águas congeladas, a expectativa de neve na serra, um chimarrão fumegando tal qual o meu. Seminu e suando, reconheci imediatamente o lugar como meu, e desejei estar não em Copacabana, mas num avião rumo a Porto Alegre. O âncora, por sua vez, adotara um tom de quase incredulidade, descrevendo aquelas imagens do frio como se retratassem outro país (chegou a defini-las como de “clima europeu”).

Aquilo tudo causou em mim um forte estranhamento. Eu me senti isolado, distante. Não do Rio Grande do Sul, que estava mesmo muito longe dali, mas distante de Copacabana, do Rio de Janeiro, do centro do país. Pela primeira vez eu me sentia um estranho, um estrangeiro em meu próprio território nacional; diferente, separado do Brasil. Eu era a comprovação de algo do qual não me julgara, até então, um exemplo: o sentimento de não ser ou não querer ser brasileiro tantas vezes manifesto pelos rio-grandenses, seja em situações triviais do cotidiano, seja na organização de movimentos separatistas.

A sério ou de brincadeira, sempre se falou muito no Rio Grande do Sul em sermos um “país à parte” (nossa bandeira atual é a mesma de quando os revolucionários farroupilhas separaram o estado do resto do país. Vale no entanto dizer que, apesar da imagem que ficou para a história, os farroupilhas não eram separatistas no início de seu movimento). Por ter sempre acreditado que entre falar e sentir havia uma distância enorme, a realidade do meu sentimento era agora perturbadora. Significava que eu não precisava sair à rua pregando o separatismo: eu já estava, de fato, separado do Brasil.

Naquela época, passagem dos anos 80 para os 90, esse tema do “país à parte” estava mais uma vez em voga, e não se poderia encontrar em outra região do país, como ainda hoje não se pode, um povo mais ocupado em questionar a própria identidade que o riograndense. Com isso, o gauchismo e os movimentos separatistas estavam em alta, estes últimos a reboque dos freqüentes protestos de políticos contra o governo federal pela precária situação econômica do estado, manifestações que, muitas vezes, traziam à tona a retórica dos revolucionários do século XIX.”           

 

Trecho do Livro “A Estética do Frio” de Vitor Ramil


Uma música boa pra começar a semana que iniciou meio complicada…

Julho 9, 2007

N

Nando Reis

E agora, o que vou fazer?

Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?

E as lágrimas não secaram com o sol que fez?

E agora como posso te esquecer?

Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?

E o seu cabelo está enrolado no meu peito?

Espero que o tempo passe

Espero que a semana acabe

Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe

Para que você retorne

Pra que eu possa te abraçar

e te beijar

de novo

E agora, como eu passo sem te ver?

Se o seu nome está gravado no

meu braço como um selo?

Nossos nomes que tem o N

como um elo

E agora como posso te perder?

Se o teu corpo ainda guarda o

meu prazer?

E o meu corpo está moldado

com o teu?